
Estamos nos anos sessenta. Anos de difíceis conquistas. Nasci, sobre o regime ditatorial. A guerra colonial existe desde 61. Salazar morre em 70. Os meus pais dão-me todo o conforto e não me falta nada. Muito cedo, percebo o medo.
Em 74, A Revolução. Parecia uma festa. O Medo, volta a instalar-se e persegue-me.
A injustiça social, o liceu, a adolescência precoce, o mundo e o medo. Começo a pintar aos 14 anos e o medo. Aos 18 anos, sou uma atleta de alta competição e já ganhei todos títulos nacionais mais importantes. Aos 22 anos, sou bacharel na língua francesa.
Insiro-me numa espiral de conhecimentos, viajo, arrisco, desisto temporariamente e volto a pintar. Os dias são difíceis. Não há muita esperança de conseguir pintar. Sempre o Medo.
Entre outros estudos e muitas profissões, cresço, educo-me, conheço e vou pintando sem pressa ao som da música.
Começo a expor no ano de 1987, entre espaços lúgubres e espaços agradáveis, entre o barulho e o silêncio. O meio artístico é pequeno e olham-nos de lado. – Quem são eles?
Inicio, a carreira de docente na disciplina de Educação Visual e Tecnológica no ano de 1998 até aos dias de hoje e ainda com o medo a rondar.
A pintura, o acto criativo sempre me acompanhou, quer de uma forma mais activa ou não e o Medo também nas suas multifacetadas formas.
Viva o acto criativo!